MATCH POINTpor marcílio costa
Histórias de amor, desejo, traição, crime, culpa, enganos e desenganos há bastante nos filmes de Woody Allen, mas há muito tempo que o diretor nova-iorquino não nos presenteava com tão intenso filme, onde todos esses elementos se conjugam na perfeição. O filme começa com o plano de uma rede de tênis em que a narração fala da importância da sorte na vida de uma pessoa, sendo esse pensamento metaforizado pela bola de tênis que, batendo na rede, pode cair para a frente ou para trás, fazer ganhar ou perder.
A ação ocorre em Londres e não em Manhattan, onde o professor de tênis Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers) conhece Tom Hewett (Matthew Goode), cuja irmã, Chloe (Emily Mortimer) vai apaixonar-se perdidamente por Chris. No entanto, e apesar de namorar e, mais tarde, casar com Chloe, Chris sente um desejo brutal por Nola Rice (Scarlett Johansson), namorada de Tom no princípio do filme, com quem vai ter um caso.
Com esta pequena sinopse percebe-se a teia de relacionamentos que Woody Allen cria. Depois de já ter assistido praticamente todos os filmes dele, tenho a sensação que o seu trabalho enquanto diretor é melhor, quanto mais dramático é o material com que trabalha. Parece que é a sua veia "bergmaniana" vem à tona.
Quando a narrativa "estaciona", na altura em que Chris e Chloe já casaram e em que o primeiro é já um sucedido empresário, devido aos “favores” do pai de Chloe (a sempre fortíssima presença de Brian Cox), e mantém o “affair” com Nola, o que o diretor faz é intensificar as situações. Sente-se cada vez mais Chris farto do seu casamento, mas, importante, habituado ao seu estilo de vida classe alta, Chloe cada vez mais triste com o impasse do seu casamento e Nola cada vez mais ligada ao Chris, a quem vai pressionar parta abandonar Chloe. É este evoluir dos motivos das personagens, acentuado pelos enquadramentos cada vez mais fechados (ainda Bergman), pelos interiores muito bem filmados, pela trilha sonora imponente (óperas de Verdi a Rossini interpretadas por Caruso), que faz aumentar a tensão, preparando o trágico final.
A ação ocorre em Londres e não em Manhattan, onde o professor de tênis Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers) conhece Tom Hewett (Matthew Goode), cuja irmã, Chloe (Emily Mortimer) vai apaixonar-se perdidamente por Chris. No entanto, e apesar de namorar e, mais tarde, casar com Chloe, Chris sente um desejo brutal por Nola Rice (Scarlett Johansson), namorada de Tom no princípio do filme, com quem vai ter um caso.
Com esta pequena sinopse percebe-se a teia de relacionamentos que Woody Allen cria. Depois de já ter assistido praticamente todos os filmes dele, tenho a sensação que o seu trabalho enquanto diretor é melhor, quanto mais dramático é o material com que trabalha. Parece que é a sua veia "bergmaniana" vem à tona.
Quando a narrativa "estaciona", na altura em que Chris e Chloe já casaram e em que o primeiro é já um sucedido empresário, devido aos “favores” do pai de Chloe (a sempre fortíssima presença de Brian Cox), e mantém o “affair” com Nola, o que o diretor faz é intensificar as situações. Sente-se cada vez mais Chris farto do seu casamento, mas, importante, habituado ao seu estilo de vida classe alta, Chloe cada vez mais triste com o impasse do seu casamento e Nola cada vez mais ligada ao Chris, a quem vai pressionar parta abandonar Chloe. É este evoluir dos motivos das personagens, acentuado pelos enquadramentos cada vez mais fechados (ainda Bergman), pelos interiores muito bem filmados, pela trilha sonora imponente (óperas de Verdi a Rossini interpretadas por Caruso), que faz aumentar a tensão, preparando o trágico final.
Sem querer desvendar o final, diga-se apenas que é nesta última parte que Chris se decide em relação a uma das duas mulheres. É também aqui que entra o registro mais criminoso. Já agora, um aparte: é curioso ver como Allen filma muito bem coisas que não lhe são assim tão familiares: estamos a pensar neste crime, que se crê ser o mais violento da sua obra e que resulta muito bem, mas também nas cenas mais íntimas entre Rhys Meyers e Johansson, encenando um desejo intenso, aproveitando bem os corpos que tem para trabalhar.
Regressando ao trágico final - e as óperas explodem nestas últimas seqüências -, é a culpa que se trabalha nas últimas seqüências. Rhys Meyers revela toda a sua ambigüidade (aqueles olhos), numa magnífica composição que vai crescendo ao longo do filme. E como é bom não haver juízos morais - nem se estava à espera com um diretor desta qualidade - e perceber que há espaço para o espectador fazer os seus (se quiser). É também neste final que se regressa à idéia de sorte manifestada no princípio com a excelente idéia do anel decidir o rumo de uma vida. "Match Point" é um filme enorme. Woody Allen não precisou de sorte nenhuma para a bola passar para o lado de lá e sair vencedor.
Regressando ao trágico final - e as óperas explodem nestas últimas seqüências -, é a culpa que se trabalha nas últimas seqüências. Rhys Meyers revela toda a sua ambigüidade (aqueles olhos), numa magnífica composição que vai crescendo ao longo do filme. E como é bom não haver juízos morais - nem se estava à espera com um diretor desta qualidade - e perceber que há espaço para o espectador fazer os seus (se quiser). É também neste final que se regressa à idéia de sorte manifestada no princípio com a excelente idéia do anel decidir o rumo de uma vida. "Match Point" é um filme enorme. Woody Allen não precisou de sorte nenhuma para a bola passar para o lado de lá e sair vencedor.
1 comentários:
olá marcílio, seja bem vindo à essa salinha de projeção, viu?
mas aqui, acho que seria válido dizer que esse é, talvez, o único filme de woody allen em que ele não assinou como personagem de si mesmo. match point é, a meu ver, uma superação do diretor na medida em que ele se distancia da narrativa e deixa as personagens contarem sua própria história. nesta narrativa impressionante de concisão e coerência, W.A. surpreende com uma capacidade renovada de executar um roteiro não biográfico. é impecável. e desconcertante é o constante clima de imparcialidade, certamente, devido à força do personagem magistralmente encarnado por jonathan rhys meyers e de seus olhos de um tipo misterioso de distanciamento, um distanciamento alerta, maquinador, frio e confiante. woody allen e jonathan rhys meyers inauguraram o século XXI, embora tardiamente, com um dos mais perfeitos filmes noir da história do cinema.
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